
A ayahuasca é uma bebida preparada através da fervura de
caules de mariri (Baristenopsis caapi) com outras
plantas, particularmente a chacrona (Psycotria viridis),
as folhas contem alcalóides responsáveis pelo efeito
psicoativo. A atividade farmacológica depende da
interação sinergística entre os alcalóides dessas duas
espécies de plantas. O alcalóide psicoativo da planta
chacrona, chamado tecnicamente de DMT possui efeito
alucinogênico, que quando é ingerido isoladamente, não
expressa seu efeito por ser absorvido pela enzima
monoamino oxidase (MAO), que metaboliza a DMT e a digere
muito antes que possa chegar ao cérebro, transformando a
DMT em metabólitos inativos.
Porém quando ingerido em conjunto com a planta mariri que
possui o composto β-carbolina que é um inibidor da MAO,
o seu metabolismo é mais tardio, permitindo que o mesmo
chegue ao cérebro. A bebida produz estimulação
cardiovascular, aumentos na freqüência cardíaca e
pressão arterial, sensações de estimulação visual ou
auditiva, introspecção psicológica e forte sentimentos
emocionais. A bebida tem gosto amargo e pode provocar
vômitos. Alguns pesquisadores têm sugerido a utilização
em aplicações terapêuticas como um complemento ao
tratamento para vícios da cocaína, alcoolismo e
depressão.
Os efeitos.
Os efeitos geralmente começam após 30-40min da ingestão,
o pico dura cerca de 2 h, e pode chegar a 6h (Riba et
al., 2003). A bebida produz moderada estimulação
cardiovascular, incluindo aumentos na freqüência
cardíaca e pressão arterial diastólica (Riba et al.,
2003). Usuários relataram sensações de estimulação
visual ou auditiva, sinastesia, introspecção psicológica
e forte sentimentos emocionais que vão desde tristeza
ocasional ou medo até a exaltação e conforto espiritual
(Shanon, 2002). O chá tem um gosto amargo e não pode ser
descrito como agradável para beber. A ocorrência da
emese, ou vômito, não é incomum durante a experiência,
um efeito que é geralmente considerado como uma
purificação espiritual ou física.
Estudos
recentes tem revelado que a ingestão da ayahuasca
diminuiu os sintomas do mal de Parkinson em pacientes
com esta doença (Serrano-Duenas et al., 2001). Em outro
estudo, Grob et al. (1996), entrevistou 15 praticantes
da União do Vegetal, 11 deles eram usuários do álcool de
moderados a severos antes de engajar na nova religião, 5
deles relataram comportamento violento associado ao uso
do álcool, 4 tinham envolvimento com outras drogas que
incluíam cocaína e anfetamina, 8 eram fumantes
compulsivos. Todos eles largaram seus vícios após o
inicio da ingestão da ayahuasca, sem danos na
personalidade ou na cognição.
Prova de dependência Ayahuasca é inexistente, na
verdade, alguns têm sugerido a utilização em aplicações
terapêuticas como um complemento ao tratamento para
vícios (McKenna, 2004). Mabit (1996) propôs o uso
medicinal da ayahuasca no tratamento do vicio da
cocaína. Labigalini (1998) descreveu o uso da bebida por
ex alcoólicos em um contexto religioso.