Cultivo do açafrão   Cultivo do alecrim   Cultivo do alecrim em vasos   Dicas para cultivar vegetais orgânicos


 

Cultivo do Açafrão.

Nome botânico: Curcuma domestica sin. Curcuma longa L.

Família: Zingiberaceae.

O açafrão é um tempero utilizado na preparação de uma variedade de pratos em todo o mundo, valorizado não somente pela sua culinária, mas também pelo seu valor medicinal. O pó de açafrão é derivado do rizoma da planta que é semelhante ao gengibre. O melhor sabor provém apenas de rizomas frescos com um rápido declínio durante o processo de secagem devido à evaporação dos óleos essenciais. Quando açafrão esta no solo também se torna amargo, o que impede de se experimentar o seu verdadeiro sabor.

Características.
O açafrão é nativo das florestas de monções do sudeste da Ásia. É uma planta perene cresce até 1m de altura e possui rizomas horizontais. Açafrão pode ser cultivado em diversas condições tropicais até 1500m acima do nível do mar, em uma faixa de temperatura de 20-35oC. Embora possa ser cultivado em diferentes tipos de solos, se desenvolve melhor em solos bem drenados franco-argilo-arenosos com uma faixa de pH de 4,5-7,5 com boa estrutura de matéria orgânica. Cresce bem em clima quente e úmido, exige solo bem drenado, não é tolerante a geadas, precisa de 1000 a 2000 milímetros de chuva anualmente ou irrigação. A elevada umidade do ar pode causar deterioração durante o processo de secagem do rizoma. Muita sombra pode reduzir o rendimento, mas sombra leve é benéfica. As flores, que começam a aparecer em outubro, são hermafroditas (têm órgãos masculinos e femininos) e são polinizadas por abelhas e borboletas. Prefere solos bem drenados de textura arenosa ou que seja livre de argila. Cresce a pleno sol e cresce bem em solos calcários. As plantas produzem menos rizomas quando cultivada em solos ricos em nutrientes.

Cultivo.
Propagação: Através de pequenas porções do rizoma central, os “dedos” como são chamados os rizomas secundários não são tão produtivos, os rizomas “semente” são deixados em locais úmidos para estimular a brotação, para então serem levados para o plantio.

Época de plantio: Preferencialmente no inicio das chuvas entre meados de outubro e novembro, quando iniciam as brotações do rizoma. Apesar de ser uma herbácea perene, no Brasil se comporta como anual e as baixas temperaturas causam a queda das folhas, portanto a cultura deve ser renovada e o ciclo de cultivo se estende de novembro a julho, perfazendo cerca de 240 dias.

Plantio: Os rizomas devem ser plantados com 5-7 centímetros de profundidade, deve-se manter o solo úmido, mas não encharcado. Normalmente é plantado em sulcos, canteiros ou em leiras, espaçamento com cerca de 40-80 cm entre linhas e 20-30 cm entre plantas. A relação mais importante para a produção esta no espaçamento entre plantas, sendo que entre linhas não existe diferença significativa na produtividade de rizomas. A cultura é plantada por pequenos rizomas centrais, que são mais produtivos, com uma ou duas gemas preferencialmente, recém brotado. Cerca de 1.700 kg de rizomas são plantados em um hectare. O rendimento esperado é de 13 a 35 toneladas/ha de açafrão fresco.

Adubação: Não há um consenso entre os trabalhos com adubação feitos no Brasil, a partir de 100 dias de ciclo a planta exige uma adubação de cobertura, que pode variar de níveis de 30 a 180kg/ha de nitrogênio; 60 a 170 kg/ha de P2O5 e 90 a 200 kg/ha de K2O, dos nutrientes fósforo e potássio.

Controle de pragas e plantas invasoras.

Doenças:

Mancha foliar, que apresenta características manchas marrons retangulares em cada lado da folha que logo se torna amarelo escuro ou castanho, as folhas também ficam amareladas, em danos severos as plantas apresentam uma aparência chamuscada e a produtividade do rizoma é reduzida. A doença pode ser controladas pela pulverização mancozeb 0,2%.

Mancha causada por Colletotrichum capsici e aparece como manchas marrom de diferentes tamanhos na superfície superior das folhas jovens, as manchas são irregulares na forma e na cor branca ou cinza no centro. As folhas afetadas geralmente secam. Os rizomas não se desenvolvem bem. A doença pode ser controlada pela pulverização zineb 0,3%.

Podridão do rizoma causada por Pythium graminicolum ou P. aphanidermatum. O colo da região do pseudocaule fica mole e aguado, resultando no colapso da planta e da podridão dos rizomas. Tratar as sementes rizomas com mancozeb 0,3% durante 30 minutos antes do armazenamento. Quando a doença é aparece no campo, o solo deve ser encharcado com mancozeb 0,3%.

Nematóides:

Os nematoides Meloidogyne spp. e Radopholus spp. são os dois importantes nematóides que causam lesões na raiz do açafrão. Para se evitar a contaminação deve-se utilizar apenas materiais saudáveis, aumentar o conteúdo de matéria orgânica no solo e verificar também a multiplicação dos nematóides no solo.

Plantas invasoras:

O controle de deve ser feito com cobertura morta.

Colheita e beneficiamento.

Os rizomas são colhidos entre 8 a 10 meses após o plantio, quando as folhas inferiores ficarem com coloração amarela ou o caule começar a secar e cair são indicações de maturidade. É possível cavar ao lado da planta e remover os rizomas, conforme necessário em vez de colher tudo de uma vez. As raízes deverão ser armazenadas em um local fresco, sem excesso de umidade. Para o beneficiamento os rizomas são lavados, fatiados e a secagem pode ser feita ao sol em áreas de terra batida ou cimentada. Na Ásia os rizomas costumam ser cozidos até ficarem macios, durante 45 a 60 minutos antes da secagem. O processo de secagem dura de 10 a 15 dias quando os rizomas tornam-se duros e quebradiços. Também podem ser desidratados em equipamentos específicos, como secadores com circulação de ar o que aumenta a qualidade do produto. Neste caso a secagem dos rizomas frescos pode ocorrer em 75 horas e dos rizomas cozidos em 48 horas à temperatura de 65 ºC.

Bibliografia consultada.

Carvalho, C.M.; Souza, R.J.; Cecílio Filho, A.B. Produtividade da cúrcuma (Curcuma longa L.) Cultivada em diferentes densidades de plantio. 2001. Ciênc. Agrotec., Lavras, 25(2), p.330-335.

Cecilio Filho, A.B.; Souza, R.J.; Braz, L.T.; Tavares, M. 2000. Cúrcuma: planta medicinal, condimentar e de outros usos potenciais. Ciência Rural, Santa Maria, 30(1), p.171-175.

Goto, R. 1993. Épocas de plantio, adubação fosfatada e unidades térmicas em cultura de açafrão (Curcuma longa L.). Jaboticabal: UNESP, 93p. (Tese-Doutorado em Produção Vegetal).

May, A.; Cecílio Filho, A.B.; Cavarianni, R.L.; Barbosa, J.C. 2005. Desenvolvimento e produtividade da cúrcuma (Curcuma longa L.) em função de doses de nitrogênio e potássio. Rev.Bras.Pl.Med., 7(3), p.72-78.

Naghetini, C.C. 2006. Caracterização físico-química e atividade antifúngica dos óleos essenciais da cúrcuma. Belo Horizonte: UFMG, 61p. (Dissertação-Mestrado em Ciência de Alimentos).

Silva, N.F.; Sonnenberg, P.E.; Borges, J.D. 2004. Crescimento e produção de cúrcuma (Curcuma longa L.) em função de adubação mineral e densidade de plantio. Horticultura Brasileira, 22(1), p.61-65.


 

Cultivo do Alecrim.

Nome botânico: Rosmarinus officinalis L.

Família: Lamiaceae.

Alecrim é uma das ervas aromáticas mais conhecidas e utilizadas em todo mundo. Além de ser usada na culinária também é utilizada como medicinal e no paisagismo. Pode ser usada no paisagismo com sucesso para compor jardins do tipo xerófitos, em bordas de barrancos como pendentes e em grandes vasos, sempre ao sol. Toda a planta emite um perfume forte e característico, picante e amargo, lembrando a cânfora. As flores atraem abelhas e o cultivo desta planta é recomendado para produtores de mel. Existem mais de 10 variedades em cultivo no Brasil, todas com o mesmo uso, porém aromas e características sutis diferentes.

Características.

Planta perene sempre verde, de caráter subarbustivo lenhoso, bastante ramificado. Essa planta é originária da região do mediterrâneo, o alecrim é um arbusto de pequeno porte, que pode atingir de 1 a 2 metros de altura, dependendo de como é cultivado. Os ramos flexíveis são de coloração acastanhada mais lenhosa entre as gemas. Suas folhas são simples, sem pecíolo, opostas, lineares, de consistência coriácea, verde mais claro na superfície inferior e muito aromática. As flores são branco-azuladas, muito pequenas e também perfumadas, reunidas em inflorescência do tipo racemo axilares ou terminais. Esta planta cresce melhor em condições de pH neutro - alcalino (pH 7-7,8).

Cultivo.

Propagação:

Pode ser por sementes ou por estacas. Em sementeira a produção de mudas a partir de sementes não é mais fácil quando se trata de alecrim. Deve ser conduzido em ambiente fechado e escuro, uma vez que ajuda a germinação, cobrindo as sementes com uma camada de solo após a semeadura. A melhor temperatura do solo deve ser em torno de 15oC. Embora possa levar até 3 meses para a germinação, esta deve começar a aparecer em cerca de 2-3 semanas. As mudas podem ser transplantadas quando atingirem em torno de 20 centímetros. Para a propagação por estaquia basta colher estacas de ramos e enterrar em areia úmida até enraizar para depois levar para o vaso ou canteiro preparado. As estacas de galhos devem ser cortadas entre 10 a 15 cm das ponteiras da planta. A base do caule deve ser cortada na diagonal. Não esquecer de cobrir as estacas com plástico para manter a umidade. A melhor época para realizar esta tarefa é do outono até a primavera.

Época de plantio: Pode ser plantado o ano todo, desde que seja fornecida a água necessária, mas que não pode chegar a encharcar o solo.

Plantio: Cultiva-se o alecrim em solos de boa fertilidade, soltos, permeáveis e de pH neutro. O alecrim não tolera excesso de umidade e de matéria orgânica (prejudica a concentração de óleo essencial). Necessita de solo com boa drenagem. Prefere locais ensolarados. O espaçamento entre as plantas quando plantadas diretamente no solo é de 40cm entre plantas e 60 cm entre linhas. Como é uma planta que não necessita de muita água, pode ser cultivada em regiões mais áridas e em locais pedregosos. Desenvolve-se bem em locais ensolarados, sem vento, não tolera excesso de umidade, mas precisa ser irrigada pelo menos uma vez por dia. Tem preferência por solos permeáveis e bem drenados, com pH neutro ou levemente alcalino. Adapta-se bem a regiões com altitudes elevadas, de até 1.500 metros. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado bem curtido, composto orgânico ou esterco de galinha, quando necessário.

Colheita e beneficiamento: Devem ser colhidas apenas folhas adultas, deixando-se 1/3 da planta para rebrota. Os galhos devem ser secos a sombra ou em secadores para este fim, quando as folhas estiverem quebradiças, podem ser retiradas dos galhos.

Referências bibliográficas:

LORENZI, H.; MATOS, F.J. 2006. Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas Cultivadas. Primeira Edição. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP. 512 p.


 

Cultivo do alecrim em Vasos

O Alecrim é uma erva condimentar e aromática indispensável na cozinha, é usada também como ornamental no jardim e é utilizado na aromaterapia. É um membro da família Labiatae, e cresce como um arbusto perene em regiões de inverno ameno em qualquer parte do mundo. Seu nome em latim, Rosmarinus officinalis, significa "orvalho do mar", uma referência às suas origens mediterrânicas.

É fácil de cultivar e de cuidar, o excesso de água pode danificar as raízes e matar a planta, deve-se deixar o solo seco. Existe uma grande variabilidade dentro do gênero Rosmarinus, as várias cultivares oferecem diversas formas de plantas e cores de flores, bem como uma gama de cores e sabores da folhagem sutilmente diferentes.

Propagação por estaquia

As plantas são propagadas por estacas, quando formadas a partir de sementes, normalmente resultam em baixa germinação e variabilidade excessiva. Através de estacas, as plantas são sempre idênticas à planta matriz. São fáceis de se propagar, e às vezes as raízes poderão se desenvolver ainda em um copo de água em uma janela ensolarada. A melhor época do ano para produzir estacas é no final do outono e início do inverno.

Corte estacas semi-lenhosas terminais com 10 - 18 cm de comprimento.

Retire as folhas inferiores, deixando 1/3 a partir do ápice.

Pode ser mergulhado em hormônio enraizador, isso vai aumentar a taxa de enraizamento.
Coloque os cortes em um recipiente com substrato. Mantenha o substrato sempre úmido para que as raízes possam se fortalecer. Estacas enraízam normalmente em 14 a 21 dias, uma vez que a estacas estejam enraizadas, você pode transplantá-las em vasos médios ou grandes. Corte o broto superior terminal para incentivar a ramificação.

Dicas para cultivar vegetais orgânicos.

A horta orgânica pode ser facilmente cultivada, basta apenas algumas noções de jardinagem, pois o cultivo pode ser feito em canteiros ou em recipientes. Através deste cultivo você poderá colocar alimentos mais saudáveis em sua mesa e para a sua família, além disso, vai poder economizar algum dinheiro.

Basicamente você poderá cultivar hortaliças durante todo o ano, pois já existem variedades para todas as estações. Entretanto a luz do sol ainda é a maior fonte de energia para as plantas, elas precisam para crescer adequadamente em torno de 5 a 6 horas de luz solar. Vegetais folhosos, como espinafre, alface, couve e salsa não precisa de tanta luz solar como os vegetais de raiz como rabanetes, cebolas e nabos. Os que precisam de mais luz solar são os que produzem frutos como a berinjela, tomate, pepino e pimentão.

Veja uma tabela com os diversos estágios de maturação para os diversos tipos de espécies vegetais.

Estágios de maturação

Numero de dias

Época de plantio

Vegetais de raízes

Vegetais de folhas

Lenta

90

Verão

Beterraba, Cenoura, Cebola

Repolho
Couve-flor

Meia-estação

60

Outono

Cenoura, Nabo, Rabanete

Couve, Couve-flor-de-inverno

Precoce

30

Outono

Cebolinha, Cebola, Rabanete

Brocoli (folhas), Alface, Espinafre

O tipo de solo onde os vegetais serão cultivados é de vital importância, pois devem oferecer tudo que a planta precisa para se desenvolver adequadamente. Você pode adquirir composto em lojas agropecuárias ou até mesmo solo de mata rico em nutrientes. Esse composto pode ser misturado com o solo argiloso peneirado em uma relação meio a meio.

Se plantar uma mistura de vários tipos de vegetais, o rendimento será melhor e mais saudável. Isto porque as plantas ajudam umas as outros no crescimento. Por exemplo, você pode plantar cenoura, alho e cebola, juntamente com couve. Também pode combinar a alface, repolho e rabanete vermelho. Além disso, essa mistura vai atrair insetos benéficos para o seu cultivo, portanto, você terá menos problemas com pragas de insetos.

A cobertura morta é composta de materiais como serragem, palha e aparas de madeira, folhas, gravetos, etc. Adicionar a cobertura em torno das plantas vai deixar o solo protegido contra a desidratação, erosão e ervas daninhas. Também vai controlar a temperatura de modo que as plantas sejam capazes de sobreviver até a época de colheita. Além da cobertura morta, também se deve adicionar adubo para as plantas, que deve ser o mais natural possível.

A compostagem é um adubo produzido com restos orgânicos, para fazer o adubo, basta deixar os materiais em uma pilha ou em uma lata por alguns meses para que ele possa se decompor. Vire-o uma vez por semana e deixe a natureza seguir seu curso. Depois de 30 ou 45 dias você terá o adubo pronto para ser aplicado no solo.

Para começar o cultivo em canteiros um tamanho de fácil manuseio seria de cerca de 2m de largura por 5m de comprimento e 30 cm de altura. Selecione um local que receba luz solar pelo menos 8 ou 9 horas por dia. Os canteiros podem ser feitos de pedra, tijolos, cimento ou com qualquer tipo de madeira tratada ou não.

O que define o cultivo orgânico é o fato de que não se podem usar inseticidas comerciais ou fertilizantes. Ao preparar o solo, em vez de incluir os fertilizantes e pesticidas, será usado adubo natural, folhas e talvez um pouco de esterco de bovino, e para combater as pragas deverão ser utilizados controle natural, ou biológico.